terça-feira, novembro 06, 2007


Ecce Uomo
Escola Portuguesa secúlo XV
Museu Nacional de Arte ANtiga

Querido Pai

O teu pai morreu quando tinhas quatro anos, das primeiras memórias que tens é a da sua morte, mas não foi isso que fez de ti menos pai, soubeste sê-lo.
Nunca soube de quem gostavas mais, se de mim, se da Bela, esse é talvez maior elogio que te posso dar como pai, o teu amor era dividido em partes grandiosas que para nós eram iguais, grandiosas mas iguais.
A palavra pai era das que mais gostava de dizer, chamava-te: “Pai!” e respondias sempre, nunca me mandaste esperar, nunca disseste que não tinhas tempo, nunca arranjaste desculpas para não ouvires, estiveste sempre presente, tinha tanta coisa para dizer, tinha tanta coisa para ouvir, tinha tanta coisa para aprender, e esta vida não chegou.
Já não consigo pronunciar a palavra pai da mesma forma, já não respondes, isso mudou para sempre.
Um dia queria que me recordassem pelo amor que dou aos outros, nada mais importa, foi talvez a lição mais importante que aprendi contigo.
Lembras-te de um “até já” que demos quando estavas no hospital? Nunca precisámos de palavras para dizer que nos amávamos.

Até já, pai.

3 Comments:

Anonymous Patrícia said...

Sem palavras ... muito bonito.

9:06 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Vamos continuar a chamar pelos nossos pais muitas vezes... e o que mais vai custar... é nunca mais ouvir o som da sua voz...
Um grande beijo amigo.
Rosa

3:22 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Todos os dias sofremos a erosão do tempo
A Paixão metamorfoseia-se
O Amor metamorfoseia-se
O Ódio metamorfoseia-se
O Corpo metamorfoseia-se
O Pai, mantém-se imutável, resiste ao tempo e à erosão de todos os elementos
A saudade toma o lugar do tempo, e às vezes provoca dor infinita….
Um abraço
Paula

10:04 da manhã  

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